Em Belo Horizonte, MST reúne cerca de 3 mil Sem Terra em marcha por soberania e democracia na capital mineira

A Mobilização do MST em Belo Horizonte

No dia 11 de setembro de 2026, aproximadamente 3 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) convergiram para o Centro de Belo Horizonte, em uma grande marcha em defesa da soberania popular, democracia e da Reforma Agrária. A mobilização, que abrangeu diversas regiões de Minas Gerais, traçou um caminho que começou na Praça da Assembleia Legislativa e se dirigiu ao centro da cidade, passando pela sede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e finalizando na Praça 7 de Setembro.

Este evento não foi apenas um protesto, mas uma demonstração de solidariedade e luta por direitos essenciais, tanto para as comunidades rurais quanto para a população urbana. A cada passo das milhares de pessoas, a mensagem de reivindicação por justiça social e acesso a recursos para desenvolvimento rural ficava mais forte, enfatizando a importância da união entre o povo do campo e da cidade.

Importância da Reforma Agrária para as Comunidades

A Reforma Agrária é um pilar fundamental na luta do MST por direitos e dignidade. Em Minas Gerais, as comunidades ligadas ao movimento exigem não só o acesso à terra, mas investimentos necessários para que possam desenvolver suas atividades agrícolas de maneira sustentável e produtiva. Existem milhares de famílias que aguardam por terras que são essenciais para a sua sobrevivência e para o fortalecimento da agricultura familiar.

MST em Belo Horizonte

Por meio da Reforma Agrária, busca-se também promover a inclusão social, garantindo que aqueles que habitam o campo tenham acesso a serviços básicos, como saúde, educação e infraestrutura adequada. O MST argumenta que a reforma não é apenas uma questão de distribuição de terras, mas de vida, resistência e um futuro mais igualitário para todos.

A Marcha pela Soberania Popular

A marcha teve como lema “Ocupar as ruas, defender a soberania” e propôs um retorno à essência da democracia: a participação ativa do povo. Silvio Neto, um dos coordenadores do MST, destacou que soberania significa que os brasileiros devem ter autonomia para decidir sobre suas riquezas e seu futuro. O MST insiste que a verdadeira democracia não se limita ao ato de votar, mas envolve mobilização e organização popular.

A presença de diversos segmentos sociais, como trabalhadores rurais, jovens, mulheres e povos originários, reforçou a ideia de que as lutas são interligadas. Ao marchar juntos, todos os participantes demonstraram que a luta por direitos se estende além do campo, alcançando a cidade e vice-versa.

Desafios da Eletrificação Rural

Um dos pontos centrais da mobilização foi a solicitação do MST por acesso à energia elétrica nas áreas de assentamento. O movimento manifesta preocupação com mais de 4 mil pedidos de ligação elétrica que estão represados na Cemig, sendo 762 deles pertencentes a famílias assentadas pela entidade. A falta de eletrificação é um obstáculo significativo para o desenvolvimento das comunidades rurais.

O MST pressionou o governo estadual e a Cemig para que se comprometam com o programa federal “Luz para Todos”, garantindo que as famílias beneficiadas recebam a eletricidade necessária para melhorar suas condições de vida e trabalho. A implementação do acesso à energia é vista como crucial para possibilitar qualidade de vida e potencializar a produção agrícola, um fator determinante para a segurança alimentar.

Memória e Resistência: História do MST em Minas Gerais

No ato previsto para ocorrer às 15h no Viaduto Santa Tereza, a memória das lutas do MST em Minas Gerais foi lembrada. Entre as histórias de resistência, destaca-se a do acampamento Terra Prometida, onde cinco trabalhadores Sem Terra foram mortos durante um massacre em 2004. O movimento reafirma que essas novelas de luta são fundamentais para compreender a persistência e a força da resistência histórica do MST.



A assinatura do decreto presidencial que reconheceu a área da antiga Fazenda Nova Alegria como de interesse social para fins de reforma agrária, em janeiro de 2026, foi celebrada como um avanço na luta por direitos. Esta conquista é vista como um legado de memória, resistência e a contínua busca por justiça e igualdade no campo.

Ato em Defesa da Reforma Agrária

O ato de defesa da Reforma Agrária foi um dos principais momentos da marcha, destacando a importância dessa luta em contextos contemporâneos. Diversas falas foram feitas para ressoar a necessidade de reformar as estruturas agrárias do país, promovendo uma distribuição mais justa das terras e recursos. O MST defende que a Reforma Agrária Popular é um caminho para a concretização da justiça social e o fortalecimento do povo brasileiro.

Os participantes foram incentivados a não só lembrar das conquistas, mas a se mobilizar para novas lutas e oportunidades. A ideia de um movimento contínuo, que se transforma e se adapta aos novos desafios sociais e ambientais, foi central nas discussões do ato.

O Papel da Juventude na Luta Sem Terra

Na mobilização, a juventude teve uma participação ativa, refletindo seu papel crucial na continuidade da luta por direitos. Com a inserção de jovens na discussão e mobilização, o MST acredita que novas energias e ideias podem impulsionar as reivindicações por uma sociedade mais justa e soberana.

Os jovens são vistos como fundamentais para relatar suas próprias experiências e necessidades, variados aspectos sobre a reforma agrária e defesa dos direitos sociais, mostrando que a luta é uma questão que perpassa gerações. Suas vozes, muitas vezes invisibilizadas, emergiram em um espaço onde foram ouvidas e valorizadas.

A Contribuição das Mulheres nas Mobilizações

As mulheres, que desempenham um papel fundamental dentro do MST, também receberam destaque na marcha. Sua luta é marcada por não apenas buscar a reforma agrária, mas por lutar contra a violência de gênero e por direitos iguais. O empoderamento das mulheres é um tema essencial, e durante a marcha, várias representantes expressaram a importância do papel feminino na luta pela soberania e justiça.

Os discursos ressaltaram que as mulheres desempenham funções centrais não só na produção agrícola, mas também na organização das comunidades, evidenciando a necessidade de seu papel ativo nas decisões coletivas e na luta por mudanças estruturais no campo e na sociedade.”

Convocação para o Ato Unificado pela Democracia

O encerramento da jornada, programado para às 18h na Praça 7 de Setembro, convocou todos os participantes a se unirem em um ato unificado por democracia. Silvio Neto reiterou que a luta pela soberania não é um esforço isolado, mas um trabalho construído coletivamente. O chamado à ação buscou engajar ainda mais a população na defesa dos direitos e na exigência de uma maior participação nas decisões políticas.

De acordo com a organização, a democracia deve ser vivida e não apenas entendida como um procedimento eleitoral. A busca por uma esfera pública ativa, onde todos possam expressar suas necessidades e suas opiniões, foi um clamor presente durante todo o evento.

Programação da Feira Estadual da Reforma Agrária

A marcha faz parte da programação da VI Feira Estadual da Reforma Agrária de Minas Gerais, que ocorrerá de 11 a 13 de setembro na Serraria Souza Pinto. Com o lema “Cultivar a Terra, Defender o Brasil”, a feira promete proporcionar um espaço para a difusão da produção camponesa, cultura e atividades de promoção da reforma agrária.

A agenda da feira inclui uma série de atividades, destacando a importância do campo e suas contribuições para a sociedade. A mobilização mostra a força do movimento e seu papel crucial na luta por uma sociedade mais justa e equitativa.

O evento se consolidou como um espaço de resistência e construção coletiva, onde o MST reafirma seu compromisso com a luta pela reforma agrária e pela construção de um Brasil mais digno para todos.