Ação do Ministério Público de Minas Gerais
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) moveu uma ação civil pública com o objetivo de impedir a Prefeitura de Belo Horizonte de realizar cortes nas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Este movimento, ocorrido no dia 28 de abril de 2026, culminou em um pedido de decisão liminar, que deve ser respeitado imediatamente, a fim de suspender a demissão de 34 técnicos de enfermagem que estava programada para entrar em vigor no dia 1º de maio. A medida foi adotada em meio a uma preocupação crescente com a qualidade e prontidão do atendimento de emergência na cidade.
Desligamento de Técnicos de Enfermagem
O desligamento de 34 profissionais de enfermagem se dá em um contexto onde as ambulâncias do Samu, que atualmente operam com um motorista e dois técnicos de enfermagem, passariam a contar com apenas um técnico em algumas viaturas. Essa proposta de redução no número de equipes gerou grande preocupação entre os servidores do Samu e a comunidade, que argumentam que a diminuição da força de trabalho comprometeria a eficiência e a segurança do atendimento prestado. Há evidências de que em situações de emergência é imprescindível a presença de mais de um profissional para garantir uma assistência de qualidade.
Impactos Nas Dimensões do Samu
A proposta da Prefeitura, se implementada, poderia ter diversas consequências, incluindo:

- Redução da Qualidade no Atendimento: Uma equipe reduzida pode resultar em intervenções inadequadas ou atrasadas em situações críticas.
- Aumento do Tempo de Resposta: Com menos profissionais disponíveis, o tempo médio de resposta do Samu, já considerado elevado, poderia aumentar ainda mais, colocando vidas em risco.
- Demissão de Profissionais Capacitados: O desligamento de técnicos de enfermagem implica não apenas na perda de mão-de-obra qualificada, mas também gera insegurança no trabalho dos que restam.
Decisão Judicial e seus Efeitos
A ação do MPMG está atualmente sob análise da 2ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal, onde se aguarda uma decisão da juíza Bárbara Heliodora Bicalho. A expectativa é que a decisão possa levar à suspensão imediata das demissões e, consequentemente, à manutenção da força de trabalho atual do Samu, garantindo o cumprimento das normas e protocolos de atendimento.
Protocolos do Ministério da Saúde
A Prefeitura de Belo Horizonte justifica sua posição alegando que a redução das equipes está em conformidade com os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Contudo, o MPMG contesta essa afirmação, destacando que a diminuição do número de enfermeiros a ser empregado em cada ambulância fere diretamente os requisitos operacionais previstos para situações de emergência.
Protestos pela Manutenção dos Empregos
Recentemente, houve manifestações significativas por parte dos profissionais do Samu e cidadãos preocupados, que protestaram em frente à Prefeitura da cidade, clamando pela não realização das demissões. Esses protestos têm como base a defesa da saúde pública e a importância da manutenção de equipes adequadas para lidar com emergências médicas.
A Resposta da Prefeitura de Belo Horizonte
Em resposta à ação do MPMG e às manifestações, a Prefeitura de Belo Horizonte declarou que ainda não foi oficialmente notificada pelo MP. Em um comunicado, ressaltou que a redução de funcionários é uma medida que atende às diretrizes do Ministério da Saúde e que a continuidade do serviço será assegurada através da adequada distribuição de recursos humanos nas ambulâncias. Além disso, a administração municipal reforçou que a contratação de técnicos de enfermagem demitidos ocorreu sob a forma de contrato temporário, sendo prevista a sua finalização desde o início da pandemia.
Samu em Situação de Emergência
No dia 10 de abril de 2026, a Prefeitura de Belo Horizonte declarou situação de emergência em saúde pública devido ao aumento nas ocorrências de doenças respiratórias. Essa situação amplia ainda mais a necessidade de um Samu robusto e bem equipado, contrabalançando a decisão de corte com a urgência crescente na demanda por atendimento.
Tempo de Resposta do Samu em Belo Horizonte
O serviço de atendimento móvel de urgência em BH já enfrenta desafios relacionados ao tempo de resposta, que, em média, varia entre 40 a 50 minutos, podendo chegar a até 4 horas em casos de alta complexidade ou quando há uma demanda exacerbada. A diminuição das equipes associada a uma situação de emergência potencialmente agravaria esses indicadores, piorando a acessibilidade e a eficiência do serviço para a população.
O Futuro do Atendimento Móvel de Urgência
A discussão em torno dos cortes no Samu de BH destaca questões cruciais sobre a sustentabilidade dos serviços de emergência em um momento complicado para a saúde pública no Brasil. Com a pandemia, a pressão sobre os serviços de saúde aumentou, e a prioridade deve ser sempre a proteção da saúde e segurança da população. A continuidade do efetivo do Samu é fundamental para garantir que a cidade de Belo Horizonte possa responder adequadamente às emergências que surgem a cada dia.



