PBH publica lei que regulariza moto por aplicativo na capital; veja regras

Entenda as Novas Regras para Motociclistas

A recente legislação promulgada pela Prefeitura de Belo Horizonte estabelece um novo marco regulatório para o transporte de passageiros por motocicleta, mediado através de aplicativos. Essa nova norma se aplica especificamente a motoristas que utilizam suas motos para oferecer serviços de transporte, diferenciando-se claramente do serviço de mototáxi, que continuará a ser regulado de forma independente.

A lei, que entrará em vigor dentro de 90 dias, foi aprovada pela Câmara Municipal em dezembro de 2025 e tem como foco garantir a segurança tanto dos condutores quanto dos passageiros. Está estipulado que, para se cadastrar, o motociclista deve atender a uma série de requisitos que visam assegurar a idoneidade e a competência no exercício da atividade.

Requisitos para Cadastro de Motociclistas

Um dos preceitos mais importantes da nova legislação é que todos os motociclistas devem ter pelo menos 21 anos e, no mínimo, dois anos de habilitação na categoria correspondente. Esse requisito busca garantir que os condutores possuam a experiência necessária para operar uma motocicleta de forma segura e responsável.

moto por aplicativo

Além da idade e tempo de habilitação, é obrigatória a apresentação de uma série de documentos:

  • Registro Geral (RG) e Cadastro de Pessoas Físicas (CPF);
  • Certidão negativa de antecedentes criminais;
  • Registro como contribuinte individual do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segurança e Equipamentos Necessários

A segurança é um aspecto que não pode ser negligenciado. A nova legislação impõe que o motociclista utilize sempre um capacete, um colete com dispositivos retrorrefletivos e um aparador de linha fixado no guidão da moto. Estes equipamentos são essenciais não apenas para a segurança do motorista, mas também para a proteção dos passageiros

Outro ponto importante é que os condutores devem comprovar a conclusão de um curso de pilotagem segura oferecido pelo aplicativo que utilizam. Isso demonstra um compromisso adicional com a segurança nas vias.

Como as Empresas Devem se Preparar

As empresas cujo modelo de negócios envolve o transporte por motocicletas através de aplicativos também têm obrigações a cumprir sob a nova lei. Isso inclui:

  • Manter um sistema de rastreamento em tempo real e monitoramento da velocidade dos veículos;
  • Promover treinamentos periódicos para os condutores sobre normas de trânsito e segurança;
  • Fornecer equipamentos de segurança, como capacetes e coletes.

Obrigações e Responsabilidades das Operadoras

Além das obrigações acima mencionadas, as operadoras têm a responsabilidade de criar pontos de apoio que ofereçam infraestrutura necessária aos motociclistas. Isso pode incluir estacionamento, banheiros, áreas de descanso, iluminação adequada e acesso à água potável e internet Wi-Fi.



A implementação dessas medidas visa não apenas a segurança, mas também o bem-estar dos motociclistas, que frequentemente operam em condições adversas.

Impacto da Lei para os Passageiros

Para os passageiros, a nova legislação é um avanço significativo, pois garante um maior nível de segurança e proteção durante o transporte. A exigência de que os condutores apresentem documentos e comprovem treinamento reforça a confiança dos usuários no serviço oferecido pelos aplicativos.

Além disso, o compartilhamento de dados entre as empresas e o poder público possibilitará um monitoramento mais eficaz e a adoção de medidas para reduzir acidentes e melhorar a fluidez do trânsito na cidade.

Monitoramento e Dados Compartilhados

Um ponto crucial da nova lei é o compartilhamento trimestral de dados pelas empresas de aplicativos com o poder público. Esse compartilhamento inclui:

  • Nome completo do motorista;
  • Dados das viagens realizadas diariamente, de forma anônima;
  • Localização de eventuais acidentes de trânsito;
  • Relatórios de monitoramento do comportamento de condução, baseado em indicadores como frenagem e aceleração.

Essas informações serão fundamentais para elaborar ações de prevenção de acidentes e melhorar a gestão do trânsito na cidade.

Consequências pelo Descumprimento

As empresas que não cumprirem as normas estabelecidas poderão enfrentar diversas penalidades, como:

  • Advertências;
  • Multas;
  • Cassação da autorização para operar.

Ademais, comportamentos que infringirem as leis de trânsito também levarão à exclusão do motociclista da plataforma. Tais medidas visam criar um ambiente mais responsável e seguro para todos os usuários das vias.

Vetos e Ajustes na Legislação

Apesar de avanços, o prefeito Álvaro Damião utilizou seu poder de veto em dois incisos da legislação original, que previam a intervenção direta do poder público na exclusão ou bloqueio de motociclistas das plataformas. Esta ação foi justificada pela necessidade de respeitar a autonomia das empresas privadas e os princípios da separação de poderes.

Os vetos serão revisados pela comissão de Constituição, Legislação, Justiça e Redação Final, que terá o prazo de 15 dias para deliberar sobre os mesmos.

O Futuro do Transporte por Aplicativo em BH

O cenário futuro do transporte por aplicativo em Belo Horizonte tende a ser mais seguro e organizado, com a implementação de práticas que promovem a segurança dos condutores e passageiros. A experiência adquirida com a aplicação desta norma poderá servir como modelo para outras cidades que desejam regularizar o transporte por motocicletas e oferecer um serviço mais eficaz e seguro.

Além disso, o compartilhamento de dados com o poder público pode se transformar em uma ferramenta essencial para o aprimoramento da infraestrutura urbana e a redução de acidentes, garantindo que a mobilidade na cidade evolua de acordo com as necessidades da população.