{"id":1250,"date":"2013-03-05T00:42:05","date_gmt":"2013-03-05T00:42:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontrabelohorizonte.com.br\/noticias\/?p=1250"},"modified":"2019-04-12T18:35:36","modified_gmt":"2019-04-12T18:35:36","slug":"aulas-de-idiomas-para-prostitutas-e-travestis-comecam-em-belo-horizonte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontrabelohorizonte.com.br\/sobre\/aulas-de-idiomas-para-prostitutas-e-travestis-comecam-em-belo-horizonte\/","title":{"rendered":"Aulas de idiomas para prostitutas e travestis come\u00e7am em Belo Horizonte"},"content":{"rendered":"<div class=\"2e083cf0b19e2c11948dc6ac054ba979\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:0px;\">\n<!-- Anuncio display - global -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:block\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-8585364105181520\"\r\n     data-ad-slot=\"8789329856\"\r\n     data-ad-format=\"auto\"\r\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\r\n<script>\r\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>Os eventos esportivos que o Brasil sediar\u00e1 a partir de 2013, com a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es, e a Copa do Mundo, em 2014, mexem com a cabe\u00e7a de muitos brasileiros. E muitos t\u00eam buscado qualifica\u00e7\u00e3o e oportunidade de neg\u00f3cios, fomentando o turismo interno. Um grupo de 300 mulheres e travestis que s\u00e3o profissionais do sexo come\u00e7ou ontem (4) aulas de idiomas em\u00a0Belo Horizonte.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o \u00e9 para receber, sem problemas de comunica\u00e7\u00e3o, aqueles que visitarem a capital mineira, para acompanhar os tr\u00eas jogos na Copa das Confedera\u00e7\u00f5es, em junho deste ano, e os seis na Copa do Mundo, em 2014. O leque ser\u00e1 amplo: j\u00e1 est\u00e3o programadas turmas de ingl\u00eas, espanhol, franc\u00eas e italiano.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s desse projeto, a hist\u00f3ria de duas pessoas se misturou, na Rua Guaicurus, no Centro da cidade, tradicional ponto de atua\u00e7\u00e3o das prostitutas na capital mineira. Um empres\u00e1rio que saiu de uma das regi\u00f5es mais pobres do estado de Minas Gerais, o Vale do Mucuri, para ser diretor de uma rede de shoppings populares; e uma prostituta que viu na pr\u00f3pria realidade e na das companheiras de trabalho a oportunidade para brigar pela causa, o que \u00e9 feito hoje por meio da Associa\u00e7\u00e3o das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig ).<\/p>\n<p><strong>\u2018Metade gay, metade prostituta\u2019<\/strong><br \/>\nO empres\u00e1rio \u00e9 Elias Tergilene, que garantiu ver oportunidades onde mais ningu\u00e9m v\u00ea. Como ele mesmo diz, \u201cfaz do lim\u00e3o uma limonada\u201d. Dono de um shopping popular em frente \u00e0 Rua Guaicurus, afirmou que parte do movimento m\u00e9dio de 15 mil pessoas por dia vem da presen\u00e7a das prostitutas, seja em compras nas lojas na cidade de Belo Horizonte, na pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o ou na academia do local.<\/p>\n<p>O ex-camel\u00f4, que anda de smartphone e com roupas de marca, contou que viu no preconceito a oportunidade de \u201cficar milion\u00e1rio\u201d. &#8220;Patrocinamos o Dia da Prostituta e a Parada Gay. O que tem a Parada Gay com a sala de aula das prostitutas? Via aquela alegria, com todo mundo comendo, bebendo. Vi que era o \u00fanico que patrocinava isso. Falei que ia patrocinar por dez anos. E os executivos colocando o preconceito acima do lucro. Ningu\u00e9m queria patrocinar. Eu falo: uma metade \u00e9 gay, a outra \u00e9 prostituta. N\u00e3o vou ser hip\u00f3crita, n\u00e3o. Abracei a causa porque vou ficar milion\u00e1rio. Vou ficar milion\u00e1rio com essa turma. Sou empres\u00e1rio e vou gerar empregos&#8221;, acredita.<\/p>\n<p>J\u00e1 Cida Vieira, presidente da Aprosmig, explicou que a demanda pelas aulas surgiu da vontade das pr\u00f3prias associadas. Isso porque, a entidade, antes de come\u00e7ar a organizar os cursos de idiomas, j\u00e1 planejava oferecer o ensino regular, pelo EJA, o Ensino de Jovens e Adultos. &#8220;Come\u00e7ou com o EJA. E isso, dos idiomas, veio com a Copa do Mundo. J\u00e1 que tantos se profissionalizam, n\u00f3s tamb\u00e9m vamos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Elias e Cida garantem, querem ir al\u00e9m. As salas de aulas ser\u00e3o constru\u00eddas no shopping popular. Eles esperam que o espa\u00e7o funcione como um espa\u00e7o de cidadania. &#8220;Isso aqui \u00e9 a porta de entrada para o mundo. Elas v\u00e3o ter aulas de idiomas para seduzir melhor. Consequentemente, poderemos colocar tudo que elas precisarem. \u00c9 um espa\u00e7o de educa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o. \u00c9 um espa\u00e7o multiuso&#8221;, explicou o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>As instala\u00e7\u00f5es no shopping popular dever\u00e3o ficar prontas at\u00e9 o fim de mar\u00e7o. No local, ser\u00e3o constru\u00eddas tr\u00eas salas de aulas regulares, com espa\u00e7o para at\u00e9 21 alunos, al\u00e9m de uma sala de audiovisual. At\u00e9 que as obras fiquem prontas, as classes ficar\u00e3o em um espa\u00e7o improvisado na pr\u00f3pria Aprosmig, na Rua Guaicurus, nos fundos de um estacionamento.<\/p>\n<p>Cida, que ainda trabalha como prostituta, conta que, inicialmente, as aulas seriam apenas para as associadas. Por\u00e9m, a not\u00edcia chegou tamb\u00e9m \u00e0s travestis, \u201ctradicionais concorrentes\u201d das garotas de programa. No novo espa\u00e7o, explicou, todas poder\u00e3o \u201caprender a conviver\u201d. &#8220;Aqui, vamos unificar todo mundo, travestis e prostitutas. Elas chegaram pedindo pelas aulas, e n\u00e3o poderia negar isso&#8221;, comentou.<\/p>\n<p><strong>\u2018Que posi\u00e7\u00e3o voc\u00ea prefere\u2019?<\/strong><br \/>\nCida teve que recorrer a professores volunt\u00e1rios para as aulas. Conseguiu 11, que dar\u00e3o aulas de ingl\u00eas, espanhol, franc\u00eas e italiano. As turmas j\u00e1 est\u00e3o montadas, e as aulas, come\u00e7aram nesta segunda-feira (4), com dura\u00e7\u00e3o de 90 minutos semanais. O curso vai durar tr\u00eas semestres, at\u00e9 o come\u00e7o da Copa de 2014.<\/p>\n<p>A reportagem acompanhou uma das reuni\u00f5es dos professores, na sede da Aprosmig. Oito estavam presentes, todos animados. Foi definido que cada um dos volunt\u00e1rios poder\u00e1 adotar a pr\u00f3pria metodologia. Para incentivar os alunos, decidiram dividir o semestre como o de uma faculdade, com cem pontos distribu\u00eddos. N\u00e3o haver\u00e1, no entanto, \u201cbomba\u201d ao fim de cada per\u00edodo, caso alguma pontua\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja atingida.<\/p>\n<p>Nas aulas, o que ser\u00e1 ensinado ser\u00e1 o essencial para comunica\u00e7\u00e3o e o \u201cvocabul\u00e1rio t\u00e9cnico\u201d. &#8220;O que elas querem s\u00e3o frases de efeito, o \u201cchegar\u201d, o \u201cal\u00f4\u201d, \u201cquanto custa\u201d, o vocabul\u00e1rio t\u00e9cnico, o b\u00e1sico da profiss\u00e3o deles. E vamos deixar para eles questionarem&#8221;, conta Osmar Rezende, que dar\u00e1 aulas de franc\u00eas.<\/p>\n<p>Ariadna Lima \u00e9 outra volunt\u00e1ria do projeto. Ela, que ter\u00e1 turmas de ingl\u00eas e espanhol, contou que j\u00e1 conheceu de perto a realidade do mundo da prostitui\u00e7\u00e3o, sem entrar em mais detalhes. Al\u00e9m disso, relembrou o tempo em que viveu nos Estados Unidos, com grandes dificuldades em aprender o ingl\u00eas. De volta ao Brasil, desde 2004, ela torce para que as prostitutas e travestis n\u00e3o passem pelos mesmos problemas. &#8220;Morei fora durante seis anos, nos Estados Unidos. L\u00e1, tive que aprender o ingl\u00eas. Sofri essa coisa do querer aprender, estar em um meio onde n\u00e3o conhecia nada. \u00c9 desesperador. Tive que me comunicar por m\u00edmica, e fui a \u00fanica brasileira na minha escola. Conheci esse mundo das meninas. Isso que motiva por fazer um trabalho volunt\u00e1rio. Se hoje estou aqui e posso ensinar, e l\u00e1 no passado tive que me comunicar por m\u00edmica, elas tamb\u00e9m podem&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Sobre o que planeja ensinar nas aulas, Ariadna acredita que n\u00e3o ser\u00e1 preciso tratar o assunto \u201csexo\u201d de forma vulgar, mas sim, como algo que \u00e9 da realidade dos futuros alunos. &#8220;Elas procuram se capacitar apenas para n\u00e3o ser um objeto de prazer. Elas querem ir al\u00e9m disso.\u00a0 \u00c9 a realidade delas. Voc\u00ea n\u00e3o precisa de uma aula s\u00f3 para isso. Dentro de uma atividade, voc\u00ea pode colocar de uma forma sutil. Temos que fugir do que \u00e9 escrachado&#8221;, encerrou.<\/p>\n<p><i>Fonte: G1<\/i><\/p>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os eventos esportivos que o Brasil sediar\u00e1 a partir de 2013, com a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es, e a Copa do Mundo, em 2014, mexem com a cabe\u00e7a de muitos brasileiros. E muitos t\u00eam buscado qualifica\u00e7\u00e3o e oportunidade de neg\u00f3cios, fomentando o turismo interno. Um grupo de 300 mulheres e travestis que s\u00e3o profissionais do sexo come\u00e7ou ontem (4) aulas de idiomas em\u00a0Belo Horizonte. 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