{"id":662,"date":"2012-11-01T05:00:48","date_gmt":"2012-11-01T05:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontrabelohorizonte.com.br\/noticias\/?p=662"},"modified":"2019-04-12T18:36:10","modified_gmt":"2019-04-12T18:36:10","slug":"para-especialistas-belo-horizonte-sofreria-mais-com-uma-tempestade-como-a-que-atingiu-os-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontrabelohorizonte.com.br\/sobre\/para-especialistas-belo-horizonte-sofreria-mais-com-uma-tempestade-como-a-que-atingiu-os-eua\/","title":{"rendered":"Para especialistas, Belo Horizonte sofreria mais com uma tempestade como a que atingiu os EUA"},"content":{"rendered":"<div class=\"2e083cf0b19e2c11948dc6ac054ba979\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:0px;\">\n<!-- Anuncio display - global -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:block\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-8585364105181520\"\r\n     data-ad-slot=\"8789329856\"\r\n     data-ad-format=\"auto\"\r\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\r\n<script>\r\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>O Furac\u00e3o Sandy deixou um rastro de destrui\u00e7\u00e3o na cidade. Milhares de casas ficaram sem energia el\u00e9trica, o fornecimento de \u00e1gua foi interrompido e o tr\u00e2nsito j\u00e1 ca\u00f3tico ficou ainda pior, com grande parte da popula\u00e7\u00e3o tentando fugir da capital. O maior impacto foi causado pelos ventos, que passaram dos 170km\/h, destelharam casas, galp\u00f5es e postos de gasolina. Centenas de \u00e1rvores ca\u00edram em ruas e avenidas. A prefeitura considerou a situa\u00e7\u00e3o \u201cum desastre de grandes propor\u00e7\u00f5es\u201d, depois que o Ribeir\u00e3o Arrudas subiu tr\u00eas metros acima do seu leito. O sistema de emerg\u00eancia n\u00e3o funcionou.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que a not\u00edcia acima \u00e9 fict\u00edcia e mais parece um pesadelo \u2013 afinal, Belo Horizonte est\u00e1 longe de ser alvo dos fura\u00e7\u00f5es, que nascem no oceano e atingem apenas as regi\u00f5es litor\u00e2neas. Mas, se tal fen\u00f4meno ocorresse aqui e a capital dos mineiros se visse, de repente, atingida pela supertempestade Sandy, como ocorre na Costa Leste dos Estados Unidos, ela estaria preparada? \u201cL\u00f3gico que n\u00e3o\u201d, responde com veem\u00eancia a arquiteta e urbanista Cl\u00e1udia Pires, conselheira da regional do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB\/MG) e presidente da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente da Sociedade Mineiros dos Engenheiros. \u201cEstamos ainda num est\u00e1gio prim\u00e1rio. N\u00e3o temos estrutura em obras para suportar uma situa\u00e7\u00e3o dessas nem um sistema de emerg\u00eancia para evacuar a popula\u00e7\u00e3o ou mesmo abrig\u00e1-la\u201d, diz a arquiteta.<\/p>\n<p>O mundo est\u00e1 de olho na Costa Leste dos EUA, onde j\u00e1 morreram dezenas de pessoas nos \u00faltimos dias em decorr\u00eancia do fen\u00f4meno. Ao ver as fotos no jornal e imagens na tev\u00ea, Cl\u00e1udia Pires tamb\u00e9m se horroriza. \u201cJ\u00e1 pensou? Tivemos um \u2018vendavalzinho\u2019 no ano passado e os efeitos foram desastrosos em Belo Horizonte. Inunda\u00e7\u00f5es, desabrigados etc. Com ventos de mais de 170km\/h, ter\u00edamos uma cat\u00e1strofe\u201d, afirma a arquiteta. Para ela, a capital ainda enfrenta de forma \u201cprovis\u00f3ria\u201d as tempestades: \u201cO sistema de preven\u00e7\u00e3o em vigor contempla apenas vilas e favelas, n\u00e3o \u00e9 abrangente para toda a cidade. Na realidade, \u00e9 um monitoramento. Todo esse quadro nos permite dizer que BH n\u00e3o est\u00e1 preparada para calamidades. Tudo \u00e9 muito fr\u00e1gil\u201d, avalia a conselheira e ex-presidente do IAB\/MG. Ela destaca o Bairro Buritis, na Regi\u00e3o Oeste, com problemas geol\u00f3gicos e altamente suscet\u00edvel \u00e0s consequ\u00eancias do per\u00edodo chuvoso.<\/p>\n<p>O professor de saneamento e hidr\u00e1ulica da PUC Minas Jos\u00e9 Magno Senra Fernandes, com mestrado em saneamento, meio ambiente e recursos h\u00eddricos e doutorado em epidemiologia, tamb\u00e9m acredita que BH n\u00e3o est\u00e1 pronta para tais fen\u00f4menos. \u201cSe tiv\u00e9ssemos aqui, na \u00e9poca das chuvas que est\u00e3o para come\u00e7ar, ventos na velocidade de 170km\/h ou mais, estar\u00edamos numa situa\u00e7\u00e3o de calamidade p\u00fablica. Ent\u00e3o, s\u00f3 mesmo rezando\u201d, resume. Ele explica que o grande impacto nessa situa\u00e7\u00e3o decorre da for\u00e7a dos ventos.<\/p>\n<p>O professor lembra que, na capital, as obras n\u00e3o s\u00e3o feitas \u201ca tempo e a hora\u201d. Morador de uma casa na Rua Professor Benedito Alves, no Bairro Belvedere, na Regi\u00e3o Centro-Sul, Jos\u00e9 Magno conta que \u201cn\u00e3o \u00e9 de hoje\u201d,h\u00e1 um talude perto da resid\u00eancia em total instabilidade. \u201cA prefeitura esteve l\u00e1, plantou grama, mas n\u00e3o resolveu. A\u00ed chegam as chuvas e os problemas se agravam\u201d, afirma. Ele adianta que a PUC Minas est\u00e1 formando um grupo de professores para estudar os impactos ambientais das chuvas (eros\u00f5es, deslizamentos etc.) na cidade.<\/p>\n<p>O engenheiro sanitarista Jos\u00e9 Roberto Champs, ex-diretor da Sudecap, explica que o sistema de defesa civil de BH n\u00e3o est\u00e1 preparado para enfrentar uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia como a do Sandy. \u201cUma cat\u00e1strofe desse porte n\u00e3o seria suportada, pois n\u00e3o estamos acostumados a furac\u00f5es e tuf\u00f5es, mas apenas as tempestades tropicais. H\u00e1 seis anos Santa Catarina enfrentou um tuf\u00e3o, mas desde ent\u00e3o n\u00e3o enfrentamos esse tipo de situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.\u201d Segundo Champs, na capital h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas de alagamentos em determinados pontos, at\u00e9 mesmo pelo relevo da cidade, cujos estragos n\u00e3o se assemelham aos recentes ocorridos na Costa Leste do EUA.<\/p>\n<p>Infraestrutura<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 imposs\u00edvel mensurar os efeitos que o Furac\u00e3o Sandy causaria numa cidade como Belo Horizonte. Cada lugar no planeta sofre amea\u00e7as e tem sua vulnerabilidade. Como Minas est\u00e1 longe do mar, eventuais problemas na cidade, certamente, decorreriam da for\u00e7a dos ventos. \u201cEm grande velocidade, provocariam estragos, entre eles o destelhamento das casas, destrui\u00e7\u00e3o da cobertura de postos de gasolina e queda de \u00e1rvores (na cidade h\u00e1 cerca de 350 mil delas), diz o coordenador municipal da Defesa Civil (Comdec), coronel Alexandre Lucas, que atuou na For\u00e7a de Reconstru\u00e7\u00e3o do Haiti, em 2010, depois que o terremoto destruiu o pa\u00eds da Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p>\u201cNenhum pa\u00eds, por mais desenvolvido que seja, est\u00e1 livre dos desastres naturais. Os nossos problemas s\u00e3o muito diferentes dos Estados Unidos e Am\u00e9rica Central. Aqui temos enchentes e deslizamentos\u201d, afirma. Mesmo com a diferen\u00e7as geol\u00f3gicas e meteorol\u00f3gicas, o coronel Lucas sustenta que \u201ca cada ano, estamos mais preparados\u201d para enfrentar os fen\u00f4menos naturais. Na cidade, h\u00e1 56 esta\u00e7\u00f5es hidrometeorol\u00f3gicas (medi\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos rios) e um radar meteorol\u00f3gico. \u201cS\u00f3 perdemos para os EUA em recursos e equipamentos\u201d, explica.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 falhas, reconhece. A maior delas est\u00e1 na falta de obras de infraestrutura preventiva e na ocupa\u00e7\u00e3o irregular de \u00e1reas. \u201cA popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deve colaborar, n\u00e3o jogando lixo nas ruas e bueiros e fazendo a manuten\u00e7\u00e3o das casas\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Emerg\u00eancia<\/p>\n<p>Em qualquer situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, as autoridades devem estar atenta a quest\u00f5es importantes para a popula\u00e7\u00e3o, como fornecimento de \u00e1gua e energia, alimenta\u00e7\u00e3o, acesso a rem\u00e9dios, m\u00e9dicos e hospitais e presta\u00e7\u00e3o de primeiros socorros. Quem dita este verdadeiro manual \u00e9 o tenente-coronel Edgard Estevo da Silva, do Corpo de Bombeiros, que fez curso de gerenciamento de risco de desastre no Jap\u00e3o, incluindo cidades como Kobe, destru\u00edda por um terremoto.<\/p>\n<p>O tenente-coronel explica que h\u00e1 duas quest\u00f5es fundamentais nesses momentos dram\u00e1ticos que s\u00e3o os servi\u00e7os de emerg\u00eancia e as estruturas. \u201cA nossa cidade n\u00e3o foi constru\u00edda para suportar fen\u00f4menos pr\u00f3ximos de um fura\u00e7\u00e3o ou um terremoto, ao contr\u00e1rio do Jap\u00e3o. Mas os servi\u00e7os de emerg\u00eancia devem funcionar para chuvas, enxurradas, soterramentos e outros\u201d, diz o militar.<\/p>\n<p>Os nossos desastres<\/p>\n<p>Desde 1928, BH j\u00e1 enfrentou mais de 200 inunda\u00e7\u00f5es, a maioria por transbordamento do Ribeir\u00e3o Arrudas, segundo o engenheiro sanitarista Jos\u00e9 Roberto Champs, ex-diretor da Sudecap.<\/p>\n<p>\u2013 1923: A primeira grande inunda\u00e7\u00e3o em toda a Bacia do Ribeir\u00e3o Arrudas.<br \/>\n\u2013 1977: Em 12 dezembro, chuva matou nove pessoas, feriu 17 e deixou BH isolada. No in\u00edcio do ano, 915 pessoas ficaram desabrigadas em desabamento no Salgado Filho.<br \/>\n\u2013 1979: Em 7 de janeiro, comportas da Pampulha foram abertas e deixou milhares de sabrigados.<br \/>\n\u2013 1983: Cidade viveu uma das suas maiores trag\u00e9dias, na favela Sovaco de Cobra, com 55 mortos. No fim de um m\u00eas, o n\u00famero de mortos chegava a 70.<br \/>\n\u2013 1997: Em janeiro, s\u00e3o registrados 66 mortos no estado, sendo 29 na Grande BH por temporais.<br \/>\n\u2013 2003: Chuva em16 de janeiro mata 20 pessoas em BH e causa destrui\u00e7\u00e3o nos aglomerados do Morro das Pedras, Cafezal e Taquaril. No Morro das Pedras, 11 pessoas da mesma fam\u00edlia foram soterradas, morrendo nove crian\u00e7as e adolescentes.<br \/>\n\u2013 2008\/2009: Temporal na virada do ano na Grande BH castigou as regi\u00f5es do Barreiro e Oeste e tr\u00eas pessoas morreram.<br \/>\n\u2013 2011: Em dezembro, cidade enfrentou uma s\u00e9rie de transtornos, sobretudo com inunda\u00e7\u00e3o do C\u00f3rrego Pampulha.<\/p>\n<p><em>Fonte: Estado de Minas<\/em><\/p>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Furac\u00e3o Sandy deixou um rastro de destrui\u00e7\u00e3o na cidade. 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