Cobranças da População e Vereadores
A prestação de contas realizada pelo prefeito Álvaro Damião (União) na Câmara Municipal de Belo Horizonte, no dia 6 de abril de 2026, foi marcada por questionamentos incisivos de vereadores e cidadãos a respeito de temas cruciais da administração, como o atraso em obras, a crise financeira, além das dificuldades nas áreas de saúde e transporte público. Embora tenha apresentado uma perspectiva otimista sobre seu primeiro ano à frente do governo, Damião ficou evasivo em seus esclarecimentos, evitando trazer detalhes sobre prazos específicos em resposta às inquietações.
Ações Positivas Apresentadas
Na abertura da sua apresentação, o prefeito fez um resumo de algumas iniciativas defendidas como conquistas em sua gestão. Ele mencionou a redução da fila de espera por exames, a contratação de 3,8 mil novos profissionais de saúde, a ampliação das vagas na educação, o plantio de 51 mil árvores e a gratuidade no transporte coletivo aos domingos e feriados. Contudo, a falta de prazos bem definidos para as obras em andamentos deixou vereadores e a população desapontados.
Reforma da Praça do Papa
Durante a sessão, a reforma da Praça do Papa foi um assunto central. O prefeito, ao ser indagado sobre o andamento das obras, limitou-se a afirmar que a conclusão está agendada para o final do semestre. No entanto, essa resposta não satisfez os interessados, que esperam um cronograma mais preciso e garantias sobre a entrega da reforma.

Transparência nas Compras
Outro ponto debatido foi a aquisição de 40 iPhones pelo governo municipal. Damião justificou que esses dispositivos foram fruto de apreensões da Receita Federal e estariam destinados para melhorar a comunicação institucional, reafirmando que nem ele nem os secretários teriam acesso a esses aparelhos para uso pessoal.
Desconexão entre Dados e Realidade
Um contraste significativo foi observado entre as informações apresentadas pela prefeitura e a realidade vivenciada pela população. Enquanto o relatório oficial mostrava uma capital em crescimento, cidadãos relataram continuar enfrentando problemas estruturais persistentes, como as obras de drenagem que permanecem inacabadas e os sérios impactos causados por chuvas intensas.
Empréstimos e Prioridades de Obras
Durante a prestação de contas, também foram discutidos os pedidos de empréstimos encaminhados pelo prefeito, totalizando cerca de R$ 3 bilhões. Parlamentares manifestaram a necessidade de concluir as obras já iniciadas antes de considerar novos financiamentos. Damião admitiu a existência de intervenções ainda não terminadas, no entanto, não forneceu prazos para a sua conclusão, alegando que algumas já ajudaram a atenuar o problema das inundações.
Municipalização do Anel Rodoviário
A discussão também abordou a recente municipalização do Anel Rodoviário. Quando questionado sobre a quantidade de radares instalados, o prefeito sustentou que a medida se faz necessária para salvar vidas, respaldando sua posição com estatísticas de acidentes de trânsito.
Atendimento às Mulheres na Gestão
A vereadora Luiza Dulci (PT) questionou sobre o orçamento municipal destinado a políticas para as mulheres, especialmente à luz do aumento da violência de gênero. A parlamentar ressaltou a importância do Centro Especializado de Atendimento à Mulher – Benvinda, que foi criado durante a administração de Patrus Ananias (PT), e expressou preocupações quanto à continuidade e possível expansão desse serviço em consonância com a criação da Casa da Mulher Brasileira.
Damião garantiu que os recursos para o Benvinda não serão diminuídos e que o serviço poderia, de alguma forma, ser integrado à nova estrutura sem explicar claramente como isso será realizado. Embora não tenha anunciado um aumento nos investimentos nessa área, ele enfatizou que a Casa da Mulher Brasileira será essencial no combate à violência de gênero, ressaltando o apoio do governo federal nesse projeto.
A prefeitura já iniciou a construção da Casa da Mulher Brasileira no bairro União, envolvendo um investimento de R$ 15,5 milhões e previsão de entrega em 2026, local que se destinará a oferecer serviços especializados às mulheres vítimas de violência.
Requalificação do Centro
O projeto de requalificação da região central da cidade também gerou polêmica, sendo criticado por muitos como “PL da especulação imobiliária”. Os vereadores expressaram receios quanto ao possível favorecimento do setor imobiliário e criticaram a tramitação rápida, sem a devida consulta à população.
O vereador Pedro Patrus (PT) clamou por garantias de inclusão social na proposta, promovendo a ideia de que ao menos 50% das novas construções deveriam ser voltadas para habitação popular. Damião defendeu a proposta, mesmo sem assegurar um percentual mínimo de moradias populares que fossem destinadas à população de baixa renda.
Crise na Saúde e Estrutura Orçamentária
Uma das questões mais alarmantes abordadas durante a prestação de contas foi a saúde pública, com o vereador Dr. Bruno Pedralva (PT) destacando que, embora o município atenda a pacientes de diversas regiões do estado, arca com a maior parte das despesas, enquanto o governo estadual contribui com apenas 12,9% da receita da área.
Com um déficit orçamentário estimado em R$ 787 milhões para 2026, Pedralva questionou se novos cortes seriam necessários. O prefeito mencionou que a intenção é equilibrar as contas sem diminuir os investimentos, mas não ficou claro como isso seria alcançado. O vereador previamente denunciou que quase R$ 200 milhões destinados à saúde estavam sob contingenciamento, afetando diretamente o atendimento nas unidades de saúde.
Esta prestação de contas aconteceu em um cenário marcado por diversas denúncias sobre a crise do sistema de saúde em Belo Horizonte, onde paralisações de servidores em anos anteriores evidenciaram a falta de insumos, as demissões e a precarização do atendimento.


