Visão Geral do Ranking de Saneamento
No recente Ranking de Saneamento do Instituto Trata Brasil, elaborado em conjunto com a GO Associados, dois municípios de Minas Gerais se destacaram entre os 20 melhores do Brasil: Uberaba e Montes Claros. Essa avaliação envolveu os 100 municípios mais populosos do país, utilizando dados referentes a 2024, com base no Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa).
Desempenho de Uberaba no Saneamento
Uberaba, situada no Triângulo Mineiro, ocupa a 11ª posição no ranking, o que representa um retrocesso em relação ao 9º lugar da edição anterior. O município, que é administrado pela Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Urbana (Codau), apresenta índices de quase universalização em seus serviços de saneamento. A cobertura de água atinge 99,65%, enquanto a coleta de esgoto chega a 99,11%. O tratamento de esgoto também se destaca, com 93% do esgoto tratado de acordo com a água consumida.
Apesar de ter 32,52% de perdas na distribuição de água, essa taxa ainda está abaixo da média nacional de 39,5%. O município investiu R$ 113,46 milhões no setor de 2020 a 2024, resultando em um investimento per capita de R$ 64,08 ao ano, inferior ao necessário para alcançar a universalização, que é estimado em R$ 225 por habitante.

Montes Claros e Seus Avanços
Montes Claros, que ocupa a 14ª posição, subiu duas posições em relação ao ranking anterior. Operada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a cidade destaca-se pelos altos investimentos em saneamento, que totalizaram R$ 519,67 milhões no período de 2020 a 2024, ou R$ 239,30 por habitante ao ano. Esses números superam o valor ideal para a universalização.
No entanto, Montes Claros ainda enfrenta desafios. A cobertura de água é de apenas 82,7%, a mais baixa entre os 20 melhores colocados. A coleta de esgoto está em 85,22%, o que ainda está abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento. O tratamento de esgoto está em 81,25%, e as perdas por ligação são de 219,85 litros por dia, um número próximo da meta de 216 litros.
Desafios de Belo Horizonte
A capital Belo Horizonte enfrenta sérios desafios no acesso e eficiência de seus serviços de saneamento. Com uma queda de dez posições, a cidade ocupa agora a 53ª posição, apresentando a taxa mais alta de perdas de água entre as capitais brasileiras, totalizando 68,29%. Este índice é quase três vezes superior à meta nacional de 25%.
Apesar de ter um bom atendimento de água, de 98,57%, e uma coleta de esgoto de 99,41%, o tratamento é insuficiente, situando-se em 75,95%. As perdas diárias por ligação na capital são alarmantes, com 1.585,85 litros, o que a coloca na 98ª posição entre os 100 municípios avaliados. O investimento em saneamento na cidade foi de R$ 933,20 milhões entre 2020 e 2024, resultando em um custo de R$ 77,24 por habitante anualmente, bem abaixo do necessário.
Comparativo entre as Capitais
Analisando o cenário nacional, observa-se que, embora tenha havido progressos no abastecimento de água, o esgoto ainda é um problema significativo, com uma média de 76,97% na coleta e 64,42% no tratamento dos 100 maiores municípios. As cidades de São Paulo, onde quatro municípios alcançaram nota máxima, contrastam com a realidade de Belo Horizonte, que se destaca negativamente.
Investimentos em Saneamento
A implementação de investimentos adequados é crucial para melhorar os serviços de saneamento. Uberaba e Montes Claros apresentaram investimentos significativos, mas muitos municípios ainda não alcançam o patamar necessário para a universalização. É vital que o investimento médio por habitante atinja os R$ 225 anuais, conforme sugerido pelo estudo, para garantir melhorias sustentáveis.
Indicadores de Qualidade de Água
A qualidade da água e o acesso ao tratamento de esgoto são indicadores essenciais para a saúde pública e o meio ambiente. A universalização dos serviços de saneamento deve ser uma prioridade, pois garante não apenas a saúde das populações, mas também a conservação de recursos hídricos.
A Importância do Tratamento de Esgoto
O tratamento de esgoto é fundamental para qualquer estratégia eficaz de saneamento. A proliferação de doenças, contaminação de águas e degradação ambiental são apenas algumas das consequências da falta de um sistema de esgoto eficiente. Montes Claros, por exemplo, enquanto avança em investimentos, ainda precisa melhorar e garantir que um maior percentual do esgoto seja tratado.
Efeito das Perdas de Água no Saneamento
A elevada taxa de perdas de água tem um impacto significativo no abastecimento e na eficiência dos sistemas de saneamento. Em Belo Horizonte, as perdas elevadas não apenas afetam a disponibilidade de água, mas também comprometem a sustentabilidade financeira dos serviços, gerando um círculo vicioso de investimentos insuficientes. Reduzir essas perdas é essencial para melhorar a eficiência e a resiliência do sistema de água.
Futuro do Saneamento em Minas Gerais
O futuro do saneamento em Minas Gerais dependerá de esforços coordenados entre as administrações municipais, estaduais e federais. É preciso fomentar investimentos, desenvolver tecnologias e criar políticas que promovam a universalização dos serviços. O desafio é grande, principalmente em áreas metropolitanas, onde a demanda por água e tratamento de esgoto é crescente.


