Espera e desrespeito nas filas da saúde em BH

Horas de espera sem perspectiva de consulta. Quem precisou recorrer ontem a atendimento médico nas unidades de pronto-atendimento (UPAs) de Belo Horizonte sentiu os efeitos da greve dos servidores municipais. Em Venda Nova, crianças e adultos lotaram a sala de espera. Funcionários informaram que os trabalhos estavam ocorrendo em escala mínima, com 50% dos profissionais atuando. Pacientes e acompanhantes contestaram. Já eram 14h e os primeiros da fila, que haviam chegado às 6h30, ainda não haviam sido chamados.

O técnico em manutenção Marco Aurélio Silva, de 36 anos, chegou às 6h com a filha de 3 anos ardendo em febre e só conseguiu entrar para a pediatria porque ameaçou invadir a unidade. Até o início da tarde, a menina tinha sido a única a receber atendimento. “O médico falou que só ia medicá-la, sem fazer qualquer avaliação, porque ele está de greve. Mas mudou de ideia e pediu exames. Agora, estou há quatro horas esperando os resultados, que acabaram de chegar. Mas, como o médico foi almoçar, não sabemos quando sairemos daqui”, contou.

A balconista Daiana de Matos, de 26, era a segunda da fila. Ela havia chegado às 6h30 com o menino de 2 anos, também com febre desde anteontem. “É um absurdo o que está ocorrendo”, desabafou. A dona de casa Michele Aparecida do Prado Ribeiro, de 23, foi a terceira a chegar à unidade de saúde na cidade de Belo Horizonte. A filha dela, de 2 anos, estava com tosse forte, falta de ar e cansaço. “As crianças estão com fome e se sentindo mal. A sala de atendimento está vazia”, afirmou.

O filho de 10 anos da auxiliar de serviços gerais Alice Alves de Souza, de 32, estava com sangramento no nariz por causa de dengue hemorrágica. No domingo, eles ficaram na UPA das 8h às 15h30 para conseguir atendimento. O garoto foi liberado na madrugada de segunda e, ontem, voltou a passar mal. “Liguei para o Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) e fui orientada a procurar a unidade de saúde mais próxima. Cheguei aqui às 10h e me disseram para esperar, pois não há previsão de atendimento”, disse.

A estudante Larissa Ferreira, de 17, ligou para as UPAs de Venda Nova e do Bairro 1º de Maio, na Região Nordeste de BH, e, ao ser informada que apenas um pediatra estava atendendo, resolveu levar o filho para o Hospital Municipal Odilon Behrens. Ela chegou às 10h e, às 12h30, ainda aguardava. “Mesmo assim, aqui está bem melhor em comparação com outros lugares, porque a greve não afetou o atendimento. Há três médicos e está demorando, porque tem muita criança hoje”, disse.

A auxiliar de cozinha Ione Maria da Costa, de 42, esperava a saída da filha com o neto de 3 meses, que sofre de bronquite asmática. A mãe e a criança chegaram pouco antes das 10h e, em menos de meia hora, estavam dento do consultório: “O movimento está normal de um hospital como o Odilon. Pelo menos aqui os médicos estão atendendo, porque nos bairros está um caos”.

Fonte: em.com.br

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